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DESAFIO
Seis lajes para seis casas em Davenport, de 1.250 pés quadrados cada uma —7.500 pés quadrados de plataforma no total— e uma sequência que precisa sair certa antes de se pedir um único metro de concreto, porque depois da concretagem não se chega mais a nada daquilo.
Tudo o que falha num radier falha por baixo dele. Um aterro que ninguém compactou recalca e a laje trinca numa linha que não dá para prever. Uma barreira de vapor rasgada numa saída de tubulação joga umidade do solo no piso pela vida inteira da casa, e isso aparece anos depois como falha do piso e a culpa cai no piso. O aço deitado sobre a lona é aço na metade errada da seção: não está fazendo nada. E num loteamento em produção o cronograma não é seu: as seis plataformas precisam chegar à vistoria nas datas da construtora, com os lotes vizinhos sendo trabalhados ao mesmo tempo.
A outra condição é a que tem gente dentro. Uma plataforma em preparação é um campo de aço vertical na altura da canela e do peito, e cair em cima disso é a lesão que encerra uma carreira.
SOLUÇÃO
Primeiro a terraplenagem, que é o que decide todo o resto. Corte e aterro até as cotas da planta do engenheiro, subleito compactado, plataforma levada ao nível, e depois a escavação do perímetro para a borda engrossada que recebe as paredes de carga. A plataforma passa pelo rolo antes de se montar qualquer coisa em cima: um ponto mole que a máquina encontra custa uma hora, e um ponto mole que o piso acabado encontra custa uma laje.
Depois as fôrmas. Tábuas niveladas e alinhadas, estacadas fora da linha de concretagem e escoradas para não caminharem quando o concreto entrar. O perímetro é esticado e conferido no esquadro pelas diagonais, não no olho contra a divisa: uma plataforma fora de esquadro só aparece quando se está marcando a parede, e aí já é tarde.
Em seguida a barreira de vapor, e aqui a especificação é o trabalho. A lona é uma barreira de vapor plástica conforme a ASTM E1745 —a norma que fixa o que o material precisa suportar debaixo de uma laje—. Ela põe um teto de 0,1 perms na permeância ao vapor de água e depois separa as classes A, B e C por resistência à tração e à perfuração, sendo a A a mais resistente e a que normalmente se especifica debaixo de uma casa. A classe de cada obra sai do projeto, não do rolo que desceu do caminhão. É instalada conforme a ASTM E1643, que é a prática que cobre o resto: traspasses de no mínimo seis polegadas, a lona subida pela face interna das fôrmas e arrematada na borda da laje, e cada passagem vedada: as esperas de hidráulica e os eletrodutos que a atravessam. Uma barreira de vapor com furo não está cumprindo a função, e todos os furos que ela vai ter são feitos antes da concretagem, nunca depois.
O aço por último, e colocado, não jogado. O número que decide esta parte é o cobrimento —o concreto que fica entre o vergalhão e o mundo lá fora—, porque é o que mantém o aço passivo e fora do alcance da umidade. Quem o fixa é a ACI 318, que manda por exposição e não por elemento: três polegadas onde o concreto é lançado contra o terreno e fica em contato permanente com ele —a viga de borda— e três quartos de polegada numa laje que não está exposta ao tempo nem toca o terreno. Essa diferença é a razão de o vergalhão da viga ficar suspenso e não deitado no fundo da vala, e o valor que governa cada elemento de uma obra está nos projetos estruturais.
A tela soldada é estendida, traspassada e amarrada, e vai sobre espaçadores seguindo a prática da ACI 302.1R, para ficar na posição da seção que a planta pede e não sobre a lona — e os espaçadores ficam próximos o bastante para segurá-la ali enquanto alguém pisa em cima e enquanto o concreto entra, que é o critério que a ACI 302.1R de fato fixa e a metade que todo mundo pula. Vergalhão amarrado nas vigas de borda, com as esperas em pé onde a planta manda. Tudo montado conforme os projetos estruturais e deixado à vista, porque é disso que esta fase trata: alguém que não construiu consegue caminhar nela e ler.
E cada barra vertical usa a sua tampa. O plástico laranja em cima de cada estaca e de cada espera nestas fotos é proteção contra empalamento, e não é cortesia: a OSHA exige, em 29 CFR 1926.701(b), que todo aço de reforço saliente sobre o qual alguém possa cair seja protegido de modo a eliminar o risco de empalamento. Uma plataforma em preparação é exatamente isso —um campo de aço na altura da canela e do peito—, então cada barra vai tampada, e as tampas são colocadas conforme o aço sobe, não no fim do dia. É boa parte do motivo de seis plataformas terem sido preparadas com zero acidentes.
RESULTADO
Seis plataformas residenciais em Davenport, condado de Polk, preparadas de ponta a ponta —1.250 pés quadrados cada uma, 7.500 no total— e entregues prontas para vistoria e para concreto. Terraplenagem, nivelamento, compactação, escavação de perímetro, fôrmas montadas e escoradas, barreira de vapor traspassada e vedada, tela soldada sobre espaçadores, vergalhão e esperas amarrados conforme os projetos estruturais. Zero acidentes.
O que uma construtora leva desta fase não é uma laje. É uma plataforma em que outro pode concretar sem encontrar nada.
Projetos