DESAFIO
Uma banheira reesmaltada falha de duas maneiras, e as duas são o mesmo erro. Ou o revestimento descola, porque a superfície por baixo nunca foi bem preparada. Ou amarelece e perde o brilho, porque se pôs uma química que não era para aquele suporte. A porcelana sobre ferro fundido, a porcelana sobre aço, a fibra de vidro e o mármore cultivado pedem preparações diferentes, e nenhuma aguenta um revestimento aplicado por cima de gordura corporal e restos de sabão. E tudo isso acontece num quarto sem janela de dois metros de lado, que é o que torna isto um trabalho de máscara e não um trabalho de pintura.
SOLUÇÃO
O primeiro passo é identificar o suporte, porque daí sai tudo o resto. O esmalte de porcelana pede um ataque com ácido que abra o vidrado; a fibra de vidro, o acrílico e o mármore cultivado lixam-se mecanicamente, porque sobre eles o ácido não faz nada. Nos dois casos desengordura-se antes e depois: a gordura corporal e os restos de sabão são o que estava por baixo da maioria dos revestimentos que descolam. O silicone e o vedante velhos retiram-se por inteiro, nunca se pintam por cima. As lascas, as fissuras e o gretado enchem-se com massa de poliéster de dois componentes, lixam-se à face e esbatem-se, porque um revestimento é fino o suficiente para marcar tudo o que fique por baixo. O ralo e o ladrão desmontam-se ou mascaram-se, o resto protege-se com papel e fita, e o quarto fica em extração mecânica antes de se abrir qualquer produto. Depois, o sistema. Uma ponte de aderência ou promotor de aderência conforme o suporte, um primário epóxi e um acabamento de poliuretano acrílico ou epóxi de dois componentes, aplicado à pistola em três ou quatro demãos finas respeitando o tempo de evaporação do fabricante entre elas, nunca numa demão grossa. As demãos finas são as que dão o brilho; uma demão grossa escorre, retém solvente e cura mole. Os tempos de cura são o que decide se o trabalho dura, e não se negociam contra o calendário. Seco ao toque entre uma e três horas, conforme temperatura e umidade. Entre 24 e 48 horas antes de a banheira ver água ou ser usada, segundo o número do fabricante para aquele produto concreto. Uns sete dias até à cura química completa, e só a partir daí se lhe aproxima um limpador abrasivo ou ácido. Veda-se de novo com silicone a 100 % depois da cura, nunca antes. E ao proprietário dizem-se as duas coisas que arruínam uma banheira reesmaltada: os tapetes de ventosas, que levantam o revestimento de uma vez, e os limpadores em pó abrasivos.
RESULTADO
Banheiras, bases de chuveiro e frentes devolvidas a um branco de brilho duro sem demolição, sem contentor e sem tocar no azulejo à volta. A mesma banheiro, utilizável outra vez em um ou dois dias em vez de refeita numa semana. Essa é a experiência que há por trás deste trabalho: mais de 800 unidades reesmaltadas, acumuladas ao longo de anos no ofício e não numa temporada. À razão de uns 35 pés quadrados de superfície revestida numa banheira padrão de 60 por 30 polegadas —o fundo, as quatro faces interiores e o painel—, saem algo mais de 28.000 pés quadrados reesmaltados.
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